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27/03/2017

INI recebeu especialistas para debate sobre a situação da malária no sudeste asiático

Antonio Fuchs

Três renomados especialistas internacionais estiveram no INI, em 20 de março, participando do seminário Clinical tropical medicine and antimalarial resistance on Thailand. Sasithon Pukrittayakamee, da Mahidol University/Tailândia, Charles Woodrow, da Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit (MORU) e Georgina Humphryes, da Worldwide Antimalarial Research Network (WWARN), apresentaram um panorama sobre o histórico do tratamento para a malária no sudeste asiático, especialmente na Tailândia, Malásia, Camboja, Mianmar, entre outros países, focando a resistência existente à artemisinina, principal droga utilizada para tratar a doença.

Sasithon Pukrittayakamee, da Mahidol University/Tailândia, iniciou sua exposição mostrando que, segundo a Organização Mundial da Saúde, o número de casos e mortes por malária estão em queda. Entre 2000 e 2015, houve uma redução de 18% no número de novos casos e de 45% no registro de mortes provocadas pela doença. “Atualmente, ninguém deveria morrer dessa doença pela falta de um mosquiteiro de 5 dólares, um teste de diagnóstico de 50 centavos de dólar ou de um tratamento antimalárico de 1 dólar”, disse.

A professora traçou uma linha com os principais eventos que contribuíram para a contenção e erradicação da malária desde 2006. A OMS divulgou que a doença matou mais de um milhão de pessoas no mundo, nesse ano, apontando as crianças com menos de cinco anos e o continente africano como a população e o local mais atingidos. Desde então, diversos estudos foram sendo desenvolvidos com a artemisinina, principal droga utilizada para tratar a malária, mas o protozoário tem se tornado resistente à droga em países da África e do sudeste asiático.

Uma das mais recentes pesquisas, segundo Sasithon, é um ensaio clínico multicêntrico, aberto e randomizado para avaliar a eficácia, segurança e tolerância das terapias triplas combinadas baseadas em artemisinina (TACTs) em comparação com terapias simples combinadas também baseadas em artemisinina (ACTs). Conduzido em 16 cidades de nove países do sudeste asiático, esse estudo tem apresentado boas respostas clínicas, uma tolerância satisfatória dos usuários e poucos efeitos adversos, podendo ser uma alternativa para sobrepor o problema da resistência.

O professor Charlie Woodrow, da Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit (MORU), trouxe algumas questões sobre a resistência antimalárica no sudeste asiático, explicando que drogas usadas nos pacientes causam diferentes impactos na saúde, acarretando assim na dificuldade da definição de um plano único de tratamento. Ele fez uma comparação entre a doença na América do Sul e o sudeste asiático que, apesar de diferentes histórias de colonização e problemas sociais, utilizaram a artemisinina e a piperaquina como forma de tratamento.

“Por que a resistência ocorre?”, questionou Charles. O professor destacou que apesar das drogas serem boas, a aptidão para controlar os parasitas é baixa, a imunidade dos hospedeiros está reduzida e a multiplicidade de infecções, fatores que terminam ocasionando a resistência ao tratamento. A respeito da artemisinina, o expositor lembrou que ela é usada há mais de 1500 anos na China, com boa tolerância e apresenta altas taxas de recrudescência quando usada de forma monoterápica. Ainda segundo Charles, o futuro é a combinação tripla de terapias, unindo fármacos que se complementem para um tratamento mais eficaz, enquanto novas drogas não são desenvolvidas para substituição.

Encerrando as apresentações, Georgina Humphryes exibiu um vídeo sobre o trabalho desenvolvido pelo Infectious Diseases Data Observatory (IDDO), que reúne dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos em uma plataforma colaborativa para ser compartilhada com as comunidades de pesquisa e humanitária.

Os dados são analisados ​​para gerar evidências confiáveis ​​e recursos inovadores que permitem respostas impulsionadas pela pesquisa para os principais desafios das infecções emergentes e negligenciadas de forma rápida e com uso de recursos reduzidos.

Georgina integra a equipe da WorldWide Antimalarial Resistance Network (WWARN), uma plataforma colaborativa que gera recursos inovadores e evidências confiáveis ​​para informar a comunidade sobre a malária e os fatores que afetam a eficácia dos medicamentos antimaláricos.

O seminário Clinical tropical medicine and antimalarial resistance on Thailand foi organizado pelo Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do INI, através do pesquisador André Siqueira, em parceria com o Centro de Pesquisas, Diagnóstico e Treinamento em Malária (CPD-Mal/Fiocruz), chefiado por Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro.

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