Beatriz Grinsztejn analisa na GloboNews os impactos da aprovação do Lenacapavir pela Anvisa
A chefe do LapClin Aids do INI e presidente da International AIDS Society destaca que o novo medicamento injetável, com aplicação semestral, é um marco na prevenção, mas enfrenta desafios de custo e patentes para chegar ao SUS
Por Alexandre Magno
A ciência brasileira celebrou nesta semana um passo decisivo no combate ao HIV. Em entrevista à GloboNews, a chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids, IST e Hepatites Virais (LapClin Aids) do INI/Fiocruz e presidente da International AIDS Society (IAS), Beatriz Grinsztejn, detalhou a importância da aprovação do Lenacapavir pela Anvisa. O medicamento, que se mostrou eficaz na prevenção de quase todas as infecções nos estudos clínicos, representa uma mudança de paradigma: a transição da pílula diária para uma aplicação injetável realizada apenas duas vezes ao ano.
A pesquisadora do INI conversou nessa terça-feira (13/01) ao vivo com a apresentadora do _Globonews Mais_, Barbara Carvalho, no canal de notícias Globonews. Assista a entrevista na íntegra aqui.

Ciência de ponta e participação brasileira
Beatriz destacou que o Brasil teve papel protagonista nessa conquista, participando ativamente dos estudos PURPOSE 2. Os testes, realizados com diversas populações (mulheres, homens que fazem sexo com homens, travestis e pessoas trans), demonstraram um potencial de proteção altíssimo.
“O Lenacapavir facilita a adesão, especialmente para as populações mais vulneráveis que, historicamente, têm mais dificuldade em manter o uso diário da PrEP oral”, explicou a pesquisadora durante a entrevista. Atualmente, embora o Brasil tenha 142 mil usuários de PrEP, há uma disparidade racial e social preocupante: a maioria dos usuários é branca, enquanto o maior número de novas infecções atinge a população negra e com menor escolaridade.
O caminho até o SUS
Apesar do otimismo, a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) não é imediata. Alguns passos são cruciais para isso:
- Definição de preço: A CMED precisa estabelecer o teto de preço no mercado brasileiro.
- Análise da Conitec: O Ministério da Saúde avaliará a eficácia e, crucialmente, o custo-efetividade da droga.
O grande entrave é o comércio internacional. O Brasil foi excluído da lista de mais de 120 países que terão acesso a versões genéricas (com custo entre 40 e 100 dólares anuais). “No Brasil, o medicamento é protegido por patente, o que pode tornar o custo inviável se não houver uma negociação por preços acessíveis”, alertou Beatriz.
Estudo de Implementação: O próximo passo do INI
Para preparar o terreno, Beatriz revelou que o INI/Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, coordenará um estudo de implementação do Lenacapavir em nove centros de seis cidades brasileiras. O projeto acompanhará 1.500 pessoas para avaliar a viabilidade logística do injetável na rotina do SUS, “garantindo que a inovação tecnológica se transforme, efetivamente, em acesso para quem mais precisa”.
















