Curso internacional do INI/Fiocruz debate integração entre saúde humana, animal e ambiental
Por: Bárbara Clara
Na aula inaugural da quarta edição da formação, representante do Ministério da Saúde abordou a construção do Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde e os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente e a saúde pública
A quarta edição do curso internacional One Health in a Global Perspective Course and OHWG/WFPHA Meeting, promovido pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), começou nesta terça-feira (13/10). A programação reúne pesquisadores e profissionais para discutir a abordagem de Uma Só Saúde (One Health), conceito desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que considera as conexões entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental.
A mesa de abertura contou com a presença da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Eduarda Cesse; do vice-diretor de Atenção à Saúde e Vigilância do INI/Fiocruz, Hugo Boechat; da vice-diretora de Pesquisa Clínica do Instituto, Valdiléa Veloso; e do vice-diretor de Ensino, Alexandre Vizzoni. Também participaram os coordenadores do curso, Mayumi Duarte Wakimoto, chefe do Serviço de Vigilância em Saúde, e Rodrigo Caldas Menezes, coordenador da pós-graduação stricto sensu do INI/Fiocruz.
Hugo Boechat chamou a atenção para a relação entre saúde humana, saúde animal e meio ambiente. Ao mencionar situações como epidemias e desastres relacionados a eventos climáticos, o vice-diretor destacou que esses acontecimentos evidenciam as conexões entre as diferentes dimensões da saúde. “Tudo isso são coisas que mostram a saúde global, a interação tanto da saúde humana, como animal, meio ambiente”, afirmou. Ele também ressaltou a importância de ampliar os estudos sobre o assunto e preparar profissionais para lidar com esses desafios.
A vice-diretora de Pesquisa Clínica, Valdiléa Veloso – também representando o diretor do INI, Estevão Portella Nunes -, ressaltou a diversidade de instituições e colaboradores envolvidos na formação desta edição do curso. Valdiléa destacou a importância de acompanhar acontecimentos em diferentes partes do mundo para fortalecer a capacidade de resposta às ameaças à saúde pública. Segundo ela, a formação contribui para preparar os participantes para responder a ameaças à saúde pública no Brasil e colaborar com respostas em outros países.
Alexandre Gomes Vizzoni destacou a oportunidade de ampliar o diálogo sobre Uma Só Saúde na instituição e entre os estudantes. O vice-diretor de Ensino também reconheceu o trabalho dos coordenadores na continuidade do curso, que chega à quarta edição, e afirmou que a formação permite discutir problemas que precisam ser enfrentados.
Mayumi Duarte Wakimoto explicou que a proposta surgiu da experiência de interação com pesquisadores de outros países e do interesse em aproximar essas experiências dos estudantes. “Hoje discutimos conceitos teóricos, mas precisamos pensar como colocar em prática”, afirmou a coordenadora.
Rodrigo Caldas Menezes falou sobre a participação de estudantes de outros países, especialmente do continente africano, europeu e da América Latina; destacando a importância do intercâmbio para a produção de conhecimento em saúde.
Em sua fala, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Eduarda Cesse, destacou a importância de reunir pesquisadores de diferentes países para ampliar o debate sobre problemas sanitários, epidemiológicos e climáticos complexos. Para ela, diante de questões dessa dimensão, é necessário “ouvir o mundo, ouvir outros pesquisadores, trazer novas ideias”. A vice-presidente também ressaltou a contribuição da troca de experiências e da internacionalização para a produção de conhecimento e a construção de novas formas de enfrentar esses desafios.
A aula inaugural, intitulada “Implementação do Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde no Brasil: avanços e perspectivas”, foi ministrada por Francisco Edilson Júnior, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde. A apresentação abordou a construção do plano nacional e os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente e a saúde pública.
“Os problemas de saúde que afetam tanto a saúde das pessoas, dos animais, do meio ambiente, eles não respeitam fronteiras entre os setores”, afirmou Francisco. O palestrante destacou que esses problemas estão relacionados, em grande parte, às ações humanas sobre os ecossistemas.Entre os exemplos, estão queimadas, desmatamento, liberação de contaminantes químicos no ambiente, queima de combustíveis fósseis e tráfico de animais. Segundo o representante do Ministério da Saúde, essas ações podem provocar consequências como mudanças climáticas, enchentes, secas, aumento da temperatura global e perda de biodiversidade.
Os efeitos também se relacionam à qualidade e à disponibilidade da água e do ar e podem ampliar desigualdades, sobretudo entre populações em situação de vulnerabilidade, tanto em áreas rurais quanto nas periferias urbanas. Para enfrentar esses problemas, o palestrante ressaltou a necessidade de uma abordagem que vá além da integração entre as diferentes dimensões da saúde.
A proposta, explicou, envolve “uma cooperação, uma coordenação multissetorial, interinstitucional e transdisciplinar”. A exposição também destacou a importância da saúde coletiva e do conceito de bem viver, relacionado às formas de integração e convivência com os demais seres vivos e com o meio ambiente presentes nos modos de vida dos povos tradicionais. O primeiro dia do curso contou ainda com a participação de Xiao-Nong Zhou, presidente do OHWG/WFPHA e vice-diretor da Escola de Saúde Global do Centro Chinês de Pesquisa em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, China; Sergio Scott, da One Health Latin America and the Caribbean (OHLAIC); Stephan Ludwig, da One Health Platform; e Ricardo Moratelli, da Rede de Saúde Única da Fiocruz.
Sobre o curso:
Realizado de 13 a 16 de outubro, o curso é voltado a profissionais graduados, prioritariamente da área da saúde, que atuam ou desejam aplicar o conceito de Uma Só Saúde em suas atividades. A programação inclui 16 horas de aulas presenciais e híbridas e outras 14 horas de atividades a distância, destinadas à leitura de artigos, textos e documentos e à elaboração de um trabalho final.
Ao longo dos quatro dias, a formação aborda redes de Saúde Única, resistência antimicrobiana, zoonoses emergentes, mudanças climáticas e segurança alimentar.
As atividades são realizadas em inglês, com tradução para o português. Para ter acesso à programação completa, clique neste link.






















