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História de 100 anos

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), localizado no campus de Manguinhos, no Rio de Janeiro, teve sua origem vinculada ao Hospital de Manguinhos, cuja construção foi iniciada em 1912. Ao longo de sua trajetória centenária, a instituição recebeu diferentes denominações, incluindo Hospital de Doenças Tropicais, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital Evandro Chagas, Centro de Pesquisa Clínica Hospital Evandro Chagas e Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), até a atual designação como INI.

Origens e Construção

O projeto original do hospital foi elaborado pelo arquiteto Luiz de Morais Junior, e as obras foram registradas pelo fotógrafo J. Pinto. No início do século XX, a edificação foi motivada pela necessidade de responder a endemias e epidemias que afetavam o país, como febre amarela, varíola, leishmanioses e malária.
A construção foi proposta por Oswaldo Cruz, então diretor do Instituto de Manguinhos e da Diretoria Geral de Saúde Pública. A iniciativa consolidou-se após os estudos de Carlos Chagas na região de Lassance (MG), onde o cientista identificou a tripanossomíase americana, posteriormente denominada Doença de Chagas. Em reconhecimento ao achado científico, o Decreto Presidencial nº 9.346, de 24 de janeiro de 1912, concedeu verbas orçamentárias específicas para a construção do Hospital de Manguinhos, com o objetivo de promover investigações e tratamentos para a nova enfermidade.

Evolução das Atividades e Linhas de Pesquisa
O Hospital de Manguinhos iniciou suas atividades operacionais em 1918. A estrutura contava com instalações técnicas adequadas ao período, incluindo sistema de radiologia, laboratórios e áreas para experimentação animal. Além da doença de Chagas, o hospital passou a atender pacientes acometidos por parasitoses intestinais, malária, bouba, sífilis, leishmanioses, tuberculose e febre tifoide, conforme escopo redefinido por decreto em 1918. O primeiro registro formal de internação ocorreu em 1919.
Em 1925, Evandro Chagas ingressou na instituição como estudante de medicina, assumindo no ano seguinte a responsabilidade pelos setores de radiologia e cardiologia. Ele conduziu investigações sobre grandes endemias e, em 1936, criou o Serviço Especial de Grandes Endemias (SEGE), voltado ao estudo e controle de vetores nas regiões Norte e Nordeste. Após seu falecimento em 1940, o Hospital Oswaldo Cruz foi renomeado como Hospital Evandro Chagas em sua homenagem.

Modernização e Cenário Recente
Nas décadas subsequentes, a instituição acompanhou as transformações estruturais e econômicas do serviço público de saúde. A partir de 1976, integrando os planos de modernização da Fundação Oswaldo Cruz, o hospital passou por reestruturações físicas e metodológicas.
Na década de 1980, alinhado aos debates de formulação do Sistema Único de Saúde (SUS), o perfil de atendimento e pesquisa da unidade foi expandido. Em 1986, o Hospital Evandro Chagas registrou a admissão de seus primeiros pacientes com HIV/Aids, estabelecendo uma nova linha institucional de assistência multidisciplinar, vigilância epidemiológica e pesquisa clínica voltada a essa patologia, integrando os esforços nacionais de controle da epidemia no contexto da redemocratização do país.
Em 1987, a Fundação Oswaldo Cruz firmou convênio com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) voltado à pesquisa e à assistência em HIV/Aids. Os recursos orçamentários viabilizaram a aquisição de equipamentos e insumos, beneficiando também investigações epidemiológicas sobre a dengue e enfermidades como leishmaniose, doença de Chagas e micoses profundas.

Na década de 1990, concomitante ao processo de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), a unidade estruturou grupos de pesquisa especializados e programas de qualificação acadêmica para seu corpo técnico. Esse rearranjo institucional resultou na criação do Centro de Pesquisa Clínica Hospital Evandro Chagas (CPqHEC) que, posteriormente, obteve autonomia administrativa dentro da estrutura da Fiocruz, passando a denominar-se Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec). A transição envolveu a formalização e a organização dos laboratórios de pesquisa integrados à assistência de referência.
Na transição para os anos 2000, as atividades de ensino foram ampliadas. O instituto, que já oferecia cursos de especialização voltados a profissionais da rede pública de saúde, implementou os programas de Residência Médica em Infectologia, Residência Multiprofissional e as pós-graduações Stricto Sensu (mestrado e doutorado) em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas e Parasitárias.

Transição para Instituto Nacional e Cenário Contemporâneo

Diante da atuação no suporte a políticas públicas de saúde e na formulação de diretrizes para o SUS, em 2010 a unidade foi alçada à condição de Instituto Nacional. A mudança foi chancelada pelas instâncias deliberativas da Fiocruz e formalizada pela Portaria nº 4.160, de 21 de dezembro de 2010, que instituiu o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI). A normativa conferiu ao órgão a atribuição de auxiliar o Ministério da Saúde no planejamento, coordenação e avaliação de ações integradas na área da infectologia.
Em 2020, em resposta à emergência de saúde pública ocasionada pela pandemia de Covid-19 e à necessidade de expansão da capacidade instalada de atendimento de alta complexidade no estado do Rio de Janeiro, o INI estruturou o Centro Hospitalar (CH). A edificação foi concluída em regime emergencial para a oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em isolamento individualizado, equipados com sistemas de tratamento e filtragem de ar para mitigação de riscos de contágio biológico.

Após o período crítico da pandemia de Covid-19, o Centro Hospitalar redirecionou sua capacidade operacional para o atendimento das demais doenças infecciosas do escopo institucional da unidade. Em 2022, a estrutura prestou a assistência epidemiológica e o suporte diagnóstico aos primeiros casos identificados de Mpox no território nacional, mantendo sua função como unidade de referência para agravos emergentes e reemergentes.