Estudo comprova efetividade e viabilidade da PrEP de longa duração
Por: Alexandre Magno e Agência Fiocruz de Notícias (AFN)
Pesquisa de implementação conduzida em seis capitais brasileiras fornece evidências científicas para subsidiar a incorporação da nova tecnologia de prevenção ao HIV no SUS. Artigo foi publicado na revista científica The Lancet HIV
Estudo inédito avaliou a implementação do cabotegravir injetável de ação prolongada (CAB-LA) para a prevenção da Aids. O método também é chamado de Profilaxia Pré-exposição (PrEP) de longa duração e, diferente da PrEp oral, que depende da ingestão diária de comprimidos e é utilizada atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS), exige apenas uma injeção a cada dois meses. Os resultados da pesquisa, publicados nessa quinta-feira (24/9) na revista científica The Lancet HIV, apontaram maior proteção e adesão pelos usuários, reduzindo drasticamente a incidência do vírus HIV. Intitulado ImPrep CAB Brasil, o estudo foi conduzido por pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV, Aids, IST e Hepatites (LaPClin-Aids), do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), com a agência internacional de saúde global Unitaid e com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A análise acompanhou 1.201 participantes, incluindo homens gays, outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não binárias e homens e mulheres transgêneros de 18 a 30 anos. Os voluntários do estudo foram recrutados por pesquisadores do LaPClin-Aids em serviços de PrEP do SUS entre outubro de 2023 e setembro de 2024 em seis cidades brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Salvador e Manaus).
O uso da PrEP de longa duração pelos participantes do estudo teve início no mesmo dia da primeira consulta. A adesão às injeções e o retorno no prazo correto atingiu 92%, demonstrando alta aceitação a essa tecnologia no serviço público. Os usuários do CAB-LA também mantiveram 90,8% dos dias de acompanhamento cobertos pela PrEP, indicando maior proteção e persistência em comparação aos 35% no uso da PrEP oral no SUS.
Com relação a incidência de HIV, a coorte (grupo de pessoas) que optou pelo uso do CAB-LA apresentou apenas três novas infecções (0,20 por 100 pessoas por ano). A redução foi significativa em comparação com a coorte que utilizou a PrEP oral, que apresentou 18 novas infecções (a taxa de 1,48 por 100 pessoas por ano).
Oferta no SUS
O Ministério da Saúde avaliou, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026) realizada em julho no Rio de Janeiro, a possível incorporação do cabotegravir injetável no SUS, a partir de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). O presente estudo inclui evidências científicas que podem subsidiar a oferta no SUS. A pesquisa constitui-se em uma coorte híbrida de implementação de tipo 2, que combina epidemiologia observacional de longo prazo com ciência da implementação. Esse tipo de desenho de pesquisa avalia, com o mesmo peso, tanto a eficácia clínica de uma intervenção quanto a viabilidade e o impacto da estratégia utilizada para implementá-la em cenários reais.
Repercussão na Imprensa
A matéria foi destaque no portal G1 na madrugada desta sexta-feira (25/09) Estudo da Fiocruz mostra alta adesão à PrEP injetável e menor incidência de HIV
Foto: Alexandre Magno
Arte: Bárbara Clara e Renan Soares










