INI/Fiocruz no centro dos debates no segundo dia do Infecto Rio
Por Julliana Reis
O segundo dia do X Congresso de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (Infecto Rio 2026) foi marcado por uma ampla participação do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) nas principais mesas-redondas e conferências do evento. A programação científica mostrou as atividades da instituição na vanguarda das discussões sobre prevenção, novas abordagens terapêuticas e o manejo de infecções complexas, reforçando o papel do Instituto na produção de conhecimento direcionado ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
O diretor do INI, Estevão Portela, teve agenda intensa no evento, participando de quatro momentos centrais em diferentes eixos temáticos da programação. Logo no início da manhã, o infectologista abriu o circuito de conferências abordando as perspectivas da erradicação das hepatites B e C. Na sequência, o diretor integrou a mesa-redonda focada nos principais avanços no tratamento antirretroviral e perspectivas de “cura”, onde ministrou palestra sobre a durabilidade, baixa toxicidade e os medicamentos de ação prolongada (long-acting) na TARV moderna.


Para Estevão, o Infecto Rio tem valor significativo para a integração da saúde no estado. “Esse congresso é muito estratégico para todos nós. É uma oportunidade para que médicos, pesquisadores e colegas que compartilham situações semelhantes no dia a dia possam conversar, dividir experiências e aprender uns com os outros. O INI está sempre bem posicionado porque temos pesquisadores muito ativos em todas as áreas, o que torna nossa participação importante para levar nossos projetos de pesquisa e também ouvir as demandas de outros profissionais. Esse diálogo com a comunidade técnico-científica do nosso estado é extremamente produtivo e importante para entendermos quais caminhos e desafios ainda temos que seguir”, ressaltou o diretor.
No período da tarde, ele retornou aos debates na sessão sobre infecção e oncogênese para discutir a relação do hepatocarcinoma com os vírus B e C e, encerrou sua participação ao presidir a conferência magna sobre a implementação global da PrEP de longa duração – Cabotegravir e Lenacapavir – , que teve como conferencista a chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV, Aids, IST e Hepatites (LaPClin-Aids) e presidente da International AIDS Society (IAS), Beatriz Grinsztejn.


Beatriz defendeu a importância de priorizar a prevenção nos debates da infectologia, destacando que o tratamento isolado não é suficiente para conter a epidemia. “Ainda tem um número grande de pessoas que chegam tardiamente aos serviços e, com isso, a persistência de uma carga viral comunitária elevada. Por isso, além do tratamento, precisamos adicionar a prevenção com o uso de antirretrovirais para que se possa, de fato, alcançar as metas de redução significativa das infecções pelo HIV em 2030”, ressaltou.
Na interface de debates do LaPClin Aids sobre o cuidado integral, a pesquisadora e coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), Sandra Wagner, abordou a doença metabólica hepática e sua interseção com a obesidade, enquanto o endocrinologista do serviço ambulatorial, Leonardo Eksterman, palestrou sobre o uso de hormônios para a reafirmação de gênero e as orientações essenciais para a conduta do infectologista.


Por fim, a coordenadora da Residência Médica do INI e presidente da comissão científica do Infecto Rio, Cristiane Lamas, moderou a mesa sobre infecção e oncogênese, espaço que, além da participação do diretor do Instituto, reuniu as palestras da infectologista do LaPClin Aids, Juliana Netto, detalhando os aspectos do Sarcoma de Kaposi e do herpes vírus 8, e da hematologista da Agência Transfusional do INI, Daniela Palheiro, que discutiu a correlação entre linfoma, EBV e HIV, consolidando a forte representação e o compromisso científico da unidade ao longo de todo o circuito.



A grade de palestras também contou com forte presença das pesquisadoras dos laboratórios especializados do Instituto na área de micobacterioses e ameaças globais. O Laboratório de Pesquisa Clínica em Micobacterioses (LaPClin TB) liderou a mesa-redonda sobre tuberculose, sob a moderação de Valéria Rolla e Flávia Marinho. No painel, Valéria Rolla, que chefia o LaPClin TB, palestrou sobre a tuberculose subclínica e a transmissão silenciosa, enquanto Cristina Lourenço, chefe do Laboratório de Bacteriologia e Bioensaios em Tuberculose e outras Micobactérias, debateu a circulação de cepas de Mycobacterium tuberculosis no Brasil e seu impacto no tratamento da doença sensível e resistente. Além disso, Flávia Marinho levou a expertise do LaPClin TB para a mesa de neuroinfecção, discutindo o manejo da neurotuberculose, em sessão moderada por Marco Antonio Lima, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Neuroinfecções (LaPClin Neuro), que contou ainda com a palestra do infectologista do serviço ambulatorial do INI, Pedro Martins, sobre neuroinfecções em pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA).
Os desafios clínicos em assistência hospitalar e as comorbidades associadas completaram a expressiva participação institucional no segundo dia de congresso. A médica Jordana Rabello, que atua na UTI do Centro Hospitalar do INI, apresentou um caso clínico sobre estafilococcia na mesa dedicada às infecções bacterianas e o manejo do paciente grave na sala vermelha.






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