Cursos de atualizações marcam o início da participação do INI/Fiocruz no Infecto Rio
Por Julliana Reis
O corpo científico do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) protagonizou uma intensa agenda de cursos na abertura do X Congresso de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (Infecto Rio 2026). Liderando discussões de vanguarda que englobaram desde o manejo de infecções complexas até estratégias globais de imunização, os pesquisadores da unidade estiveram à frente de cinco cursos simultâneos direcionados à atualização de profissionais da saúde e estudantes da área.
O curso de Medicina de Viagem contou com contribuições do Laboratório de Imunizações e Vigilância em Saúde (LIVS) e do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), com Marcellus Dias ministrando uma aula sobre vacinas voltadas para viajantes, detalhando os cenários da Febre Tifoide, Raiva e Encefalite Japonesa. Ele também participou do módulo Destinos de Viagem com foco na África do Sul. Essa sessão dedicada ao planejamento de viagens internacionais contou ainda com a coordenação da infectologista do serviço ambulatorial do INI, Mari Tuyama.
No curso de Vacinas, novas abordagens preventivas em tempos de globalização foram apresentadas por Marcellus Dias, e Alberto dos Santos, também pesquisador do LIVS, que fez um alerta sobre o ressurgimento do sarampo, da coqueluche e do tétano.



Paralelamente, no curso de Atualizações em HIV/Aids, pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST, Hepatites e AIDS (LaPClin Aids) abordaram os desafios clínicos contemporâneos. Isabel Tavares abriu as discussões com dados do último Boletim Epidemiológico e as diretrizes do PCDT, seguida por Mayara Secco, que debateu o manejo de ISTs em populações vulneráveis e o uso do uso do antibiótico doxiciclina como Profilaxia Pós-Exposição (PEP), e por Brenda Hoagland, responsável pela coordenação dos painéis sobre prevenção da infecção pelo HIV.



Ainda no escopo do cuidado integral às pessoas vivendo com HIV, a segunda parte da programação, que tratou sobre coinfecções virais, trouxe Maria Roberta Meneguetti discutindo manifestações de HPV e doença anal, e Juliana Netto abordando aspectos do Sarcoma de Kaposi. O encerramento do módulo com foco em comorbidades associadas incluiu apresentações de Leonardo Eksterman sobre risco cardiovascular e metabólico, Amanda Reis tratando de nefropatias em ambulatório.




Sandra Wagner, que esteve à frente da coordenação do curso juntamente com Isabel Tavares, encerrou o módulo de comorbidades conduzindo o debate sobre síndromes geriátricas e saúde óssea. “A ideia foi fazer um apanhamento geral das necessidades de tratamento e cuidado das pessoas vivendo com HIV. Fizemos um passeio por várias áreas, com apresentações rápidas, e englobamos basicamente todos os assuntos importantes, incluindo tratamento, prevenção, o uso de PrEP, as comorbidades e o envelhecimento”, destacou a pesquisadora.

As discussões de alta complexidade em cardiologia infecciosa e microbiologia foram o cerne do treinamento sobre Bacteremia e Endocardite. A coordenadora da Residência Médica do INI, Cristiane Lamas, comandou a palestra central sobre o diagnóstico etiológico de endocardites infecciosas com hemoculturas negativas. Ela reforçou que a metagenômica é um recurso promissor, mas exige interpretação clínica cuidadosa. Sua principal mensagem foi não pular etapas no diagnóstico.
Dando continuidade à mesa, o infectologista do Centro Hospitalar, Rafael Garrido, apresentou uma análise de contexto sobre infecções causadas por patógenos Gram-negativos não HACEK.


Por fim, o primeiro dia contou ainda com o fortalecimento da formação de novas lideranças na infectologia por meio do Clube de Infecto, espaço no qual a residente de infectologia do INI, Pamela Olivoti, realizou a apresentação de um caso clínico sobre o diagnóstico diferencial de febre e pancitopenia em pessoas vivendo com HIV/Aids, contando com o debate técnico de Andrea D’Avila Freitas, pesquisadora do Laboratório de Micologia.
Para Cristiane Lamas, que também é presidente da comissão científica do congresso, o balanço inicial não poderia ser mais positivo. A médica infectologista destacou a qualidade dos debates e a diversidade dos participantes que acompanharam a abertura do evento. “Foram várias mesas riquíssimas, que têm um público, muitas vezes, de médicos mais jovens, mas também de colegas que estão se reciclando e querem rever alguns assuntos”, afirmou.

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