INI/Fiocruz encerra participação no Infecto Rio 2026 com destaque em debates sobre ISTs e vigilância em saúde
Por Julliana Reis | Edição por Alexandre Magno
O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) marcou sua participação no último dia do X Congresso de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (Infecto Rio 2026) liderando debates sobre os os desafios diagnósticos das infecções sexualmente transmissíveis (IST), investigações epidemiológicas sob a perspectiva Uma só saúde (One Health), ferramentas de gestão contra a resistência bacteriana e o enfrentamento de arboviroses emergentes.
As atividades voltadas à saúde sexual concentraram as atenções na mesa-redonda IST em 2026: Desafios Diagnósticos e Atualizações Essenciais. Representando o Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV, Aids, IST e Hepatites (LaPClin Aids), Felipe Sabec abriu a rodada de apresentações discutindo as condutas e o rastreio dos doenças assintomáticos. Na sequência, Mayara Secco abordou o cenário das infecções emergentes.
Fechando as apresentações do laboratório, Maria Roberta Meneguetti defendeu abertamente a quebra de tabus na prática clínica e a necessidade urgente de capacitação profissional para o atendimento integral da população. “Nós precisamos normalizar a saúde sexual anal. Precisamos parar com esse tabu e entender que o sexo anal não é uma prática restrita aos homens que fazem sexo com homens”. A pesquisadora defende que os profissionais de saúde precisam se especializar mais nesse tema. Segundo ela ainda existe muito preconceito dos próprios proctologistas e especialistas em abordar o tema. “Eu convido os infectologistas, os médicos e todos os profissionais de saúde a abordarem mais esse tema nas consultas e normalizar a saúde anal como um todo”, convocou a pesquisadora.



No eixo voltado para a vigilância, com o tema Surtos Hospitalares de Histoplasmose na Perspectiva One Health, Andrea D’Avila Freitas, do Laboratório de Micologia, iniciou a sessão com uma revisão sobre os surtos causados por fungos em serviços de saúde. As estratégias de contenção e diagnóstico foram aprofundadas por Rosely Zancopé, chefe do Laboratório de Referência Nacional em Micoses Sistêmicas, que palestrou sobre o uso de ferramentas microbiológicas em situações de surto. Complementando a abordagem integrada, Luciana Trilles, também do Laboratório de Micoses Sistêmicas, discutiu a investigação ambiental com o tema O ambiente hospitalar como ecossistema.



No período da tarde, as discussões hospitalares avançaram com o painel Stewardship 360°: Ciência, Cultura e Tecnologia na Era da Resistência, sob a moderação de Isabel Tavares, chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), contando com a palestra de Roberta Espírito Santo Correia, também do CCIH, sobre o papel dos indicadores inteligentes na medição de desfechos hospitalares complexos.


Os cenários de expansão de infecções emergentes e o cuidado a populações específicas completaram o último dia. Alberto dos Santos, do Laboratório de Imunizações e Vigilância em Saúde (LIVS), atuou como moderador da mesa dedicada aos desafios no manejo de pacientes imunocomprometidos não HIV na era da resistência antimicrobiana. Já nos debates focados em arboviroses, Otília Lupi, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas (LaPClin DFA), detalhou os aspectos clínicos e epidemiológicos da febre do Oropouche, trazendo dados fundamentais para o manejo clínico da doença.


A representação do INI/Fiocruz no encerramento da grade científica reafirmou o compromisso histórico do Instituto com o desenvolvimento da pesquisa clínica de ponta e com a formulação de respostas ágeis para os principais desafios da saúde pública brasileira.




















