INI/Fiocruz lidera pesquisa nas Américas em estudo global da OMS sobre oxigênio medicinal publicado na revista The Lancet Global Health
Por Alexandre Magno
Estudo O2CoV2 revela que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde; pesquisadoras do INI coordenaram a maior coorte da região
A prestigiada revista científica The Lancet Global Health publicou este mês os resultados do estudo O2CoV2, Medical oxygen and respiratory support requirements for patients hospitalised with COVID-19 in 23 low-income and middle-income countries: a prospective, observational cohort study. Trata-se de uma pesquisa prospectiva e observacional liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O trabalho descreve os requisitos de oxigênio medicinal e suporte respiratório para pacientes hospitalizados com covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar.
Protagonismo do INI/Fiocruz nas Américas Sob a liderança das pesquisadoras Mônica Cruz (coordenadora do Centro Clínico) e Valdiléa Veloso (vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em toda a região das Américas. Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, o INI foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva.
A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade do Instituto em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a maior crise sanitária desta geração.
O oxigênio como marcador de iniquidade O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.
Em contrapartida, os dados das Américas — onde o INI foi referência — destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.
Impacto em Políticas Públicas Para a pesquisadora Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma.
As evidências geradas pelo INI e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.
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